O Paris-Roubaix 2026 terminou com a vitória de Wout Van Aert, que venceu o Inferno do Norte pela primeira vez após oito anos de espera, superando Tadej Pogacar no sprint final dentro do Velódromo de Roubaix. O belga de 31 anos, da Visma-Lease a Bike, estragou a festa do campeão mundial e dedicou a vitória a Michael Goolaerts, companheiro de equipe que faleceu anos atrás.
Domingo, 12 de abril de 2026. 175 ciclistas largaram em Compiègne sob um céu cinzento do norte da França. Ninguém imaginava que estavam prestes a testemunhar a edição mais rápida dos 123 anos de história da Paris-Roubaix: 258,3 km percorridos a 48,91 km/h de média, um recorde absoluto que superou os 47,8 km/h de 2024.
Como foi o Paris-Roubaix 2026?
A 123ª edição do Inferno do Norte contou com 30 setores de pavê, totalizando 54,8 km de paralelepípedos, o que a tornou a prova mais seletiva do ano. Ao todo, 115 ciclistas foram classificados entre os 175 largados, com 36 abandonos ao longo do percurso. Dessa forma, a corrida confirmou sua fama de destruir sonhos e coroar os mais fortes.
Nesse contexto, o campeão mundial Tadej Pogacar chegou a Roubaix tentando o feito de vencer quatro monumentos consecutivos (Lombardia 2025, Strade Bianche 2026, Tour de Flandres 2026 e Paris-Roubaix). No entanto, o esloveno foi negado por uma sequência de furos que mudou o desfecho da prova.
O ponto de virada do Paris-Roubaix 2026 foi na Floresta de Arenberg
Primeiramente, o momento decisivo começou a se desenhar na Trouée d’Arenberg, o setor de 5 estrelas com 2,3 km que é considerado o coração do Inferno do Norte. Foi ali que Mathieu van der Poel, o tetracampeão, furou e perdeu cerca de 2 minutos, hipotecando suas chances de defender o título.
Paralelamente, com 121 km para o fim, no setor 22 (Quérénaing a Maing), o campeão mundial começou a se movimentar, sinalizando que a corrida entraria em sua fase mais agressiva. A Floresta de Arenberg, portanto, cumpriu seu papel de separar os candidatos reais ao título.
O momento decisivo do Paris-Roubaix 2026
O golpe decisivo chegou no setor 12 (Auchy-lez-Orchies a Bersée, km 205), com 53 km para o fim. Van Aert acelerou, Pogacar colou, e os dois foram embora juntos, construindo uma dupla que logo abriu vantagem. A dupla construiu uma vantagem de 42 segundos ao passar por Mons-en-Pévèle, deixando claro que o título seria decidido entre os dois gigantes.
Nos quilômetros finais, Pogacar quase caiu no Carrefour de l’Arbre, a 17 km do fim, onde pressionou mas não conseguiu quebrar Van Aert. Sob essa perspectiva, o belga mostrou frieza e potência, mantendo a liderança da dupla até o Velódromo de Roubaix.
O sprint final no Velódromo de Roubaix
Por fim, a decisão aconteceu no sprint dentro do Velódromo de Roubaix. Van Aert lançou antes da última curva, abriu vantagem e Pogacar, que não é exatamente um sprinter fraco, simplesmente não teve chance. A potência do belga foi avassaladora, garantindo sua primeira vitória em um monumento de paralelepípedos.
Com efeito, a vitória de Van Aert foi a primeira belga no Inferno do Norte desde Philippe Gilbert (2019), encerrando um jejum de sete anos para o ciclismo belga na prova mais icônica do pavê.
Análise por equipe: erros e acertos
Visma-Lease a Bike (NOTA 10): Acerto máximo. Van Aert perfeito na leitura de corrida, com Laporte como escudeiro de luxo no grupo de perseguição. A equipe manteve a calma quando Van Aert furou, e o ataque no setor 12 foi cirúrgico. A consagração de um plano de corrida que vinha sendo construído há anos.
UAE Team Emirates-XRG (NOTA 7): Pogacar mais uma vez provou que é um fenômeno, mesmo furando duas vezes e trocando de bike, chegando no sprint final. No entanto, a equipe não teve capacidade de proteger o líder nos setores decisivos. Pogacar ficou isolado cedo demais, e Nils Politt (9º) chegou a mais de 2 minutos.
Alpecin-Premier Tech (NOTA 5): Erro crítico. A equipe não conseguiu evitar os furos de Van der Poel em Arenberg, com três paradas. O tetra simplesmente escapou por problemas mecânicos. Van der Poel protagonizou uma recuperação hercúlea para chegar em 4º, mas o dano já estava feito.
Soudal Quick-Step (NOTA 9): Subestimados e cirúrgicos. Stuyven foi inteligentíssimo, atacando a 3 km do fim para assegurar o pódio. Uma leitura de corrida perfeita de um veterano que conhece cada paralelepípedo.
Lidl-Trek (NOTA 7): Pedersen esteve no grupo certo, mas faltou perna para acompanhar o ataque decisivo. O 7º lugar reflete uma atuação sólida, sem brilho.
Red Bull-Bora-Hansgrohe (NOTA 8): Tim van Dijke (6º) e Laurence Pithie mostraram que a equipe alemã tem futuro no pavê. Duas posições no top 10 é um resultado expressivo.
Pódio do Paris-Roubaix 2026
| Posição | Ciclista | Equipe | Tempo |
|---|---|---|---|
| 🥇 | Wout van Aert | Visma-Lease a Bike | Vencedor |
| 🥈 | Tadej Pogacar | UAE Team Emirates-XRG | Sprint final |
| 🥉 | Jasper Stuyven | Soudal Quick-Step | +0:13 |



