O Gravel no Brasil nunca esteve tão em evidência. Pela primeira vez, a modalidade que mais cresce no ciclismo nacional teve um Campeonato Brasileiro dedicado exclusivamente às bicicletas de cascalho, além de receber pelo segundo ano consecutivo uma etapa do circuito mundial da UCI. O ano de 2026 ficará marcado como o divisor de águas para o gravel tupiniquim.
Quando o calendário virou a página
A temporada começou com tudo em março. No dia 8, a cidade catarinense de Camboriú recebeu a segunda edição da UCI Gravel World Series Brazil, etapa oficial do circuito mundial que classifica ciclistas para o Campeonato Mundial de Gravel da UCI, realizado em outubro na Austrália. Com percursos de 115 km (Gran Fondo) e 70 km (Medio Fondo), a prova atraiu nomes de peso do cenário internacional.
Além disso, a britânica Madeleine “Maddy” Nutt, campeã da edição anterior, retornou para defender o título. A canadense Sarah Diekmeyer fez sua estreia na etapa brasileira. Para coroar, o belga Erwin Vervecken, diretor global dos eventos UCI World Series de Gravel, Gran Fondo e Ciclocross, veio pela primeira vez à América do Sul para acompanhar a organização e também disputar a prova.
Henrique Avancini venceu a etapa masculina, enquanto Ana Luisa Panini conquistou o título feminino, confirmando que o Gravel no Brasil tem nomes prontos para competir em qualquer cenário internacional.
O marco do primeiro Campeonato Brasileiro de Gravel
Em julho, a cidade histórica de Rio Acima, em Minas Gerais, recebeu a primeira edição do Campeonato Brasileiro de Gravel. Organizado pela Avelar Sports, o evento foi realizado no dia 5 de julho sob aval da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) e distribuiu as primeiras camisas de campeão brasileiro da modalidade.
Avancini, que já havia vencido a etapa da UCI em Camboriú, conquistou o título brasileiro com impressionante superioridade, abrindo mais de 10 minutos sobre o segundo colocado, Sherman Trezza. André Gohr completou o pódio. O feito veio apenas dez dias depois de Avancini se tornar campeão brasileiro de contrarrelógio na estrada — dois títulos nacionais em dez dias.
Do lado feminino, Flávia Oliveira, dona do melhor resultado olímpico do Brasil no ciclismo (7º lugar na Rio 2016), venceu a prova e tornou-se a primeira campeã brasileira de gravel. Ela superou Isabela Lacerda (Scott) e Ana Laura Oliveira (Soul Extreme Racing), segunda e terceiro colocadas.
O percurso foi um verdadeiro teste de resistência: 93 km com impressionantes 3.000 metros de altimetria acumulada, combinando trechos de terra, cascalho e asfalto — a essência do gravel.
Por que o Gravel no Brasil está crescendo tanto?
O fenômeno não é isolado. Mundialmente, o gravel é a modalidade ciclística que mais cresce, e o Brasil segue essa tendência. Dados do mercado indicam que a faixa etária de maior crescimento está entre 46 e 55 anos, com idade média dos praticantes em 43,3 anos.
Dessa forma, o perfil do ciclista de gravel brasileiro é de um atleta experiente, muitas vezes vindo do mountain bike ou do ciclismo de estrada, que busca novas experiências sobre duas rodas em contato com a natureza.
Não obstante, a diversidade de terrenos do Brasil favorece a expansão da modalidade. Serras, estradas de terra, fazendas históricas e regiões montanhosas oferecem o cenário ideal para a prática do gravel, especialmente em estados como Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia.
O calendário não para
A UCI redobrou sua aposta no gravel para o ciclo 2026-2027. O calendário mundial foi ampliado para 45 provas, e o Brasil segue firme como palco sul-americano. A Riders Sport, organizadora dos eventos UCI no país, confirmou as próximas etapas:
- 8 de março – UCI Gravel World Series Brazil – Camboriú (SC)
- 9 de agosto – UCI Gravel World Series – Medellín (Colômbia)
- 6 de setembro – UCI Gravel World Series Chile – Santiago
- 8 de novembro – UCI Gran Fondo World Series Brazil – Timbó (SC)
- 29 de novembro – UCI Gran Fondo World Series Colômbia – Bogotá
Por essa razão, as inscrições para a edição 2027 da UCI Gravel World Series Brazil já estão abertas em Camboriú, consolidando o Brasil como destino obrigatório no calendário internacional da modalidade.
O futuro do Gravel no Brasil
Com a formalização do Campeonato Brasileiro e a manutenção da etapa UCI, a modalidade tende a atrair cada vez mais participantes e patrocinadores. A presença de atletas com histórico consistente em MTB e estrada eleva o nível competitivo e cria referências técnicas para as próximas gerações.
Portanto, a camisa de campeão brasileiro, agora uma realidade, é o símbolo de que o Gravel no Brasil não é mais uma tendência passageira. É uma disciplina consolidada, com calendário próprio, atletas de alto nível e uma comunidade cada vez mais numerosa pedalando por estradas de terra e cascalho pelo país afora.

